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Encontrar um local para estacionar a moto é complicado.

Encontrar um local para estacionar a moto é complicado.

Quem nunca deixou a moto na garagem porquê não tinha onde estacioná-la? É real - e desestimulante.

Sem dúvida, o homem evolui em dois níveis distintos: enquanto a tecnologia avança fantasticamente, a mentalidade e os costumes seguem no ritmo das lesmas. Por isso, apesar do uso de motocicletas ter se tornado fundamental como meio de locomoção individual e prestação de serviços na vida atual -- especialmente nas grandes metrópoles -- a mentalidade humana ainda privilegia os carros, que em nome do direito de locomoção individual atravancam o direito coletivo, ocupam mais espaço e congestionam tudo, causando desperdício e stresse.

Mas, enfim, é a velha e vagarosa lesma. Os estacionamentos públicos e particulares acompanham o ritual da lesmice: no mesmo espaço onde cabem 30 carros, lentos e demorados para entrar, encontrar vagas, manobrar e finalmente estacionar, poderiam ser colocadas com maior agilidade 120 motocicletas. Quatro vezes mais. O resultado está na cara: as motos ocupam menos espaço e subtraem menos tempo. Logicamente, otimizam os benefícios das atividades humanas – serviços, trabalho, estudos -- e os lucros, no presente caso para os donos dos estacionamentos.

Uma dica: faça um rápido exercício e crie um novo e promissor negócio, livrando-se desemprego -- um estacionamento de motos: parta de um valor simples, de R$ l por 1 hora, adicione a economia de tempo, a compensação de espaço físico, o fluxo útil de usuários e compare com os autos. É fácil concluir qual tipo de veículo agiliza mais a atividade humana no item estacionamentos – se motos ou carros. E nem precisa levar em conta que a maioria dos carros transporta apenas uma pessoa, gasta mais energia etc.

Voltando ao chão, estacionar a moto é um problema que atinge tanto nós, motoqueiros e motociclistas, como as associações de fabricantes de motos, entidades de classe, estudiosos da legislação de trânsito e, claro, donos de estacionamentos. Só não atinge a imensa maioria dos nossos lesmóides políticos.

“Já tivemos uma reunião com o departamento de transportes públicos da Secretaria de Transportes do Município de São Paulo para discutir o problema específico dos estacionamentos para motos na cidade”, afirma Moacyr Paes, 61anos, diretor executivo da Abraciclo ( Associção Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares ). Paes lembra que, na época, o Sindimotos, um dos sindicatos que reúne os motociclistas profissionais no Estado de SP, também fez uma solicitação para facilitar a vida dos motoqueiros profissionais, responsáveis por agilizar grande parte da economia da cidade.

Moacyr Paes ainda argumenta – como argumentou na época -- que a falta de estacionamentos desincentiva o uso de motos. Para os motoboys, que vivem de suas motos, a situação é pior ainda . “Eles precisam de locais para estacionar com agilidade e fazer suas entregas”, observa Paes.

A Abraciclo defende a abertura de mais bolsões de estacionamento seguros e práticos para motos em todos os tipos de uso -- para trabalho, transporte, turismo ou lazer, diz Paes. As entidades que representam motoqueiros concordam. E, claro, nós, motociclistas, motoqueiros, motoboys, flanelinhas, harleiros, cegezeiros, treieiros etc também.

Nos estacionamentos
Enquanto isso, alguns estacionamentos ainda batem na velha tecla preconceituosa de que não aceitam motos porque os motoqueiros são irresponsáveis, fazem confusão, não têm seguro, não acorrentam suas motos e tal.

Por enquanto, as críticas dos estacionamentos particulares são contra alguns motoqueiros (com toda razão) , que relaxam com a segurança ou circulam muito rápido no interior das garagens.

“Não aceitamos motos por causa disso”, diz o supervisor Anderson Oliveira, 27 anos, da rede Estapar, de São Paulo. “Muitos motoqueiros são complicados e causam mais problemas que soluções. Enquanto alguns respeitam tudo e são educados, outros param de qualquer jeito, provocam batidas nos carros estacionados, não prendem suas motos com cadeado e só reclamam de tudo”, conta Oliveira.

Ele faz uma revelação: nos estacionamentos também aparecem muitos cabriteiros (NR -- ladrões de motos) , que roubam motos por aí e as deixam estacionadas, pra buscar depois. “Dai surge a polícia e nós precisamos ir na delegacia para explicar que não temos nada com a história”, explica. “Por isso, agora só aceitamos motos identificadas, que servem os escritórios registrados nos condomínios onde prestamos serviços”, diz.

Por outro lado, várias redes de estacionamentos particulares já abriram os olhos, deixaram os preconceitos de lado, pensaram em como resolver esses entraves e aguardam as motos, estabelecendo regras práticas em conjunto com a necessidade dos usuários. O resultado é – e será -- positivo para todos.

O diretor da rede Multipark, de São Paulo (SP), Luciano Ferrareto, 60 anos, que conta com 150 garagens, explica que há alguns anos as seguradoras não não cobriam eventuais prejuízos causados nas motos estacionadas — e, por causa, disso os estacionamentos não as abrigavam. Segundo ele, essa realidade está mudando.

“Estamos fazendo as adaptações necessárias, como estabelecer regras, criar bolsões internos específicos, colocar corrimões de ferro e ceder cadeados e correntes para os usuários prenderem as motos”, diz. “Este é um negócio bom, que deve crescer muito e atrair um público versátil, que está carente desse tipo de serviço”, analisa Ferrareto, prevendo que até o final de 2010 cerca de 70% dos estacionamentos, de sua rede e das concorrentes, deverão estar aceitando motocicletas normalmente.

Letra da lei
Para quem entende de leis e circulação de veículos, estuda ou trabalha com elas, há um visível descompasso entre a realidade e sua organização.

O sub-tenente reformado da PM-SP, advogado Gilberto Antônio de Faria, de 50 anos, autor do “Manual Faria de Trânsito” ( Editora Juarez – ), explica que algumas regras de estacionamento em locais públicos são previstas no Código Brasileiro de Trânsito. E que sua não observação gera multas ou até mesmo a retenção das motos.

“Está previsto que o estacionamento correto da motocicleta é em posição perpendicular ao meio-fio, com a roda traseira encostada nele, salvo quando houver sinalização específica no local”, diz. “Quem estaciona de forma irregular comete infração prevista no CBT, onde está grafado que a multa é de R$ 85,13, com perda de quatro pontos na carteira.” Já estacionar sobre o passeio público, uma falta grave, prevê o recolhimento da moto e uma multa de R$ 127,69, com perda de cinco pontos.

O sociólogo e engenheiro Elio Camargo, que é consultor de trânsito e pertence a um grupo de estudos viários que se reúne mensalmente na USP ( Universidade de São Paulo), defende as motocicletas como alternativa para desafogar o tráfego e melhorar a vida nas grandes metrópoles. E nota que, atualmente, são os motoqueiros que abrem seus próprios espaços para estacionar, de forma natural, de acordo com suas necessidades.

“O isolamento dos nichos estabelecidos para agrupar motos estacionadas nas áreas centrais das cidades não parecem ter um planejamento apropriado”, observa. “Por outro lado, as companhias seguradoras bem que poderiam criar um serviço específico para as motocicletas abrigadas dentro de estacionamentos particulares.

Palavras do professor: Quem sabe alguma lesma política acorda e as coisas começam a mudar.


Fonte: Motonline


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